Mil olhos te veem
Mil pedras te ignoram
És humano fraco e sujo
És pobre e lento
És atropelo e vergonha
Mendigas a vida
Às vidas que passam presas às pressas
És mortal e vives
És vivente sem fôlego
Esperas a morte
- uma esmola que nem o diabo dá
Desesperas de tudo
Das crianças, dos velhos, dos cães até
És árvore infrutífera
És tronco de carne podre
És resto de desmatamento
Mil moedas não te levantarão
Mil preces não te salvarão
Verás ainda muitas tardes
Falarás mal da chuva e dos jovens
Serás testemunha do fim
No dia da sega dos olhos
As pedras clamarão
E tu, ainda fraco e sujo,
Não terás nem indiferença nem desprezo
Serás só, único, soberano
Ouça os muros, as calçadas, os postes
Olhe os telhados, as placas, o asfalto
Eis teu reino, eles serão teus súditos
És um escolhido, creia
Serás rei e ninguém te invejará
Quarta-feira, Março 31, 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)




0 comentários:
Postar um comentário