sexta-feira, abril 30, 2010

Pênsil prisão

Balançam em tardes de travesseiros
Caras roídas de socos e torturas
Olhos tristes de sapo
Pele de seco cimento

O crime perpétuo
O vício puro
A fraqueza bem tratada
- tudo à mente

Estaca de dia a bigorna do sol
A noite em corda é pênsil prisão
Todo sussurro é grito riscado
Na tábua do sono, rios sem vazão

Vãs madrugadas em retalhos
Servem à feitura de lençóis
Erros costurados à mão
Com traves e troncos nos olhos

Na curva ribeirinha da culpa
Remorsos engalham-se, quebradiços
À berlinda das pálpebras
Lágrimas não se sustentam
(pedem chão)

Longa travessia de passos parados
Distantes da longa margem ainda
Auroras dormem com rugas meninas
Maisdias-menosdias, tudo se finda


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P.S.
Aos visitantes costumeiros e eventuais, a demora em postar é involuntária.
A pena está firme nas mãos. Embora as mãos, nem sempre, firmes.
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