Quarta-feira, Julho 28, 2010

Aguilhão

Um grito ungido
Atravessa a noite esburacada

Febril é o coice
Brancos, os dentes
E por que não?

Come o pasto alto das verdes esquinas
Faz o trote altivo dos grandes serviçais
Foi feito em lâmina e pedra trabalhadas
A cara, o pelo, o relinchar
A espátula alisando sempre
O orgulho equestre

Pisa cruelmente as sombras
Esmaga tudo que rasteja
E sombra é luz que rasteja
: serpente particular do que brilha
E o que brilha sempre esquece que tem pés
: pensa que voa

Pensa que voa
E está tão ao chão quanto uma tartaruga
E está tão frágil quanto uma teia de aranha caseira
E está tão à morte quanto um porco gordo

Quando a sereia sibila no beco das penumbras
De nada serve o pelo escovado
O dente clareado ri morto
Os olhos claros não podem ver a última unção
Gritam e brilham, apesar

Apenas

1 comentários:

Í.ta** disse...

que puuuuuuuta descrição, jb!

tô pasmado!

rsrs.

abraço grande!

e parabéns,
teus versos possuem um ritmo que marca a leitura.

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