quarta-feira, agosto 18, 2010

Marco Vasques em Joinville para lançamento de três livros

O poeta, escritor e crítico joinvilense Marco Vasques, atualmente radicado em Florianópolis, estará em Joinville na próxima terça-feira, dia 24, para o lançamento dos livros “Flauta sem boca” (poemas), “Harmonias do inferno” (contos) e “Diálogos com a literatura brasileira – Volume III” (entrevistas). O evento acontece no Gutz Bar (Rua Ministro Calógeras, 1407, Centro), a partir das 19h30.

Flauta sem boca
Amplia a temática da condição coisificada e urbana do homem contemporâneo iniciada no livro “
Elegias Urbanas” e que terá ainda uma última abordagem com “Anatomia da pedra”, a ser lançado em 2011, formando, nas palavras de Vasques, “uma espécie de trilogia da urbanidade”.
Editora Letras Contemporâneas
Poemas, 70 páginas, R$ 25
Ilustração: Fernando Lindote
Prefácio: Péricles Prade
Posfácio: Luis Serguilha

Harmonias do inferno
Segunda edição do livro de contos lançado em 2005.
Editora Letradágua
Contos, 119 páginas, R$ 25
Prefácio: Cláudio Willer
Pósfácio: Rodrigo Schwarz
Desenhos: Rodrigo de Haro

Diálogos com a literatura brasileira – Volume III
Em publicação viabilizada pela Lei Rouanet, Marco Vasques faz um recorte literário do sul do Brasil reunindo entrevistas com 30 escritores da região: Ademir Demarchi, Amilcar Neves, Claudio Cruz, Cleber Teixeira, Dennis Radünz, Donaldo Schüler, Fábio Brüggemann, Fernando Karl, Flávio José Cardozo, Ivan J. Panchiniak, Jayro Schmidt, José Eduardo Degrazia, Maurício Arruda Mendonça, Michel Laub, Ricardo Corona, Roberto Gomes, Beatriz Bajo, Cristiano Moreira, Fernando Koproski, Jaime Medeiros Jr., Karen Debértolis, Rafael Meireles, Ramone Abreu Amado, Raquel Stolf, Ryana Gabech, Ronaldo Machado, Rubens da Cunha, Telma Scherer, Vinícius Alves e Vinicius Lima.
Editoras Letradágua e Movimento
Entrevistas, 416 páginas, gratuito
Prefácio: Péricles Prade

Quiosque

Ilha chorando
oceana

Onda entardecendo
espraia

Sol fraquejando
gaivota

quarta-feira, agosto 11, 2010

ID

Sou fraco
Não consigo dormir de olhos abertos

E louco
Porque vejo muros

E além dos muros, mundos
Miniaturas de mundos
Reinos mapeados
Terras recortadas
Nações desenhadas nas retinas

E feroz
Assusto a plateia, eu sei

As pálpebras cortinam meu espetáculo
O terrível espetáculo de ver
Quando é mais lúcido imaginar
Seguro a cartola com mãos de sangue
Os coelhos estão mortos sobre o palco
Espalhei dinamites nos cantos da sala

Não quero o mal de ninguém
Quero maestrar a revoada
De todos esses pássaros sentados

Eu vejo: e ilhas navegam
Eu pisco: e continentes emboram-se
Eu tenho um planisfério em cada olho
E vejo muros dividindo países
As cercas, estações

Sou louco assim, de riso nórdico
No inverno, todos verão

Ou talvez
Ou não
Quem é cego, não pisca
Quem vê, dorme demais

Todo olhar arregalado é falso espanto
Se não fraquejar no choro
Pelos cantos loucos dos muros
Nas entrelinhas de uma insônia sem luar
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