segunda-feira, julho 04, 2011

Viração do dia

Na véspera de todos os delírios
Éramos jardim na praça da cidade
Árvores, cercas e flores
Alinhados ao caminho dos passantes

Nossa simetria cartesiana
Nossa disposição entre calçadas
Nosso respeito à ordem

Na véspera de todos os delírios
Éramos torre de vigia
Muros, pedras, montanhas
Um quadro na sala de estar

Nossa pureza de vida
Nossa medida certa
Nosso padrão categórico

E ao primeiro sussurro de hoje
Tudo se estilhaça

Árvores caídas
Cercas quebradas
Flores murchas
A queda da torre
O sangue no muro
A pedra e o tropeço
Os montes em fuga
A casa abandonada

E o olhar fractal
E as ruas caóticas
E os semáforos daltônicos

E os vômitos na praça
E as doses a mais
E a morte das gentilezas

E entre todos os delírios
O branco do beijo
Vaporiza a santidade dos dias
(os de ontem)
- O amanhã espia delinquente

domingo, julho 03, 2011

Hiato

Na hora suprema
Ninguém poderá tuitar
#morri
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