quinta-feira, julho 26, 2012

Noite

O olhar entrou na casa como um sussurro ao pé do ouvido.
Luzes apagadas, sala vazia, cozinha silenciosa, paredes sonâmbulas:
você dormia

Nas mãos, as coisas mais valiosas
No pensamento, um pesar pela rapidez dos acontecimentos
Saí, deixei a porta aberta como aviso. Não estraguei nada:
você dormia

Também roubei este poema de um livro que estava aberto sobre a mesa:
falava de amor

quarta-feira, julho 11, 2012

A esquina


A esquina nunca envelhece

Os carros passam
As pessoas
Um ciclista
E outro passarinho

Mas a esquina resiste ao movimento
Tem a idade da pedra
         a idade do tempo
         a idade de sempre

O semáforo pisca
A faixa se apaga
Os buracos no asfalto
A placa caída

A esquina
não se curva à rigidez do relógio
é menina atravessada pelo vento
é ângulo incalculável
– mais que dobra

Por isso
A esquina não envelhece
Porque
O vento (também) não envelhece

Velhas ficam as pessoas
quando não cruzam mais a rua
, nem para comer

E,
se a cidade fica vazia
sem gente nas calçadas
sem cruzamentos
nem passos

a esquina se esquizofreniza
se vê estorvo
          estúpida
          estranha

e (mesmo sem envelhecer)
morre: vira ex-quina
e assombro
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