quinta-feira, novembro 29, 2012

Quase dezembro


O sol mordisca a pele na tarde morna da primavera
O vento é fraco, mas basta uma nuvem para trazer o temporal
À sombra, estudantes buscam um abrigo invisível na espera pelo ônibus
Os carros, numa ligeireza incômoda, abafam os detalhes da conversa

Na parede da padaria, cartazes anunciam festas e promoções natalinas
Quando a noite chegar, pequenas luzinhas no letreiro farão lembrar do fim do ano
Parece que janeiro foi ontem mas, por uma mágica, ele vai se repetir amanhã
E no janeiro, o sol envenena, o vento rasga, a sombra vibra e os carros param

Enquanto o novembro ainda rasteja, atraindo passarinhos e chuva rápida
A alma desacelera suas ânsias e preocupações; aos poucos, se estende no varal
O corpo, com pouca roupa, se tropicaliza de segundas intenções; deseja (a)mar
Neste quase dezembro, o verão acena com rotas, roteiros e rituais a 23 dias de distância

(Se os maias estiverem certos, morreremos todos na primavera – quase verão
Será inútil a brisa da tarde, a espera pelo ônibus e a pressa dos motores
Os pedidos de Natal não serão atendidos
Ninguém verá o corpo em trajes mínimos
E o janeiro jamais se repetirá)

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