quinta-feira, agosto 29, 2013

Pixel


um ponto
um traço
uma linha
um risco

um caco
um pó
uma fagulha
um cisco

uma vírgula
fonema
exclamação
e grunhido

um pedaço
um nó
uma parte
um resto

um rastro
um gesto
uma faísca
um grito

uma vertigem
fragmento
travessão
e gota

um bit
um próton
uma célula
um átomo

um tom
um som
uma cor
um sopro

uma centelha
partícula
parágrafo
e único

o que bastaria
para ser presença
palavra
princípio
e reticência

sexta-feira, agosto 16, 2013

Equilibrista


Os pés descalços sobre o fio de arame
Tateiam o liso entre as farpas
A pele não dialoga com o metal
Mas sente quando a dor se avizinha

Cada passo, em milímetro, avança
Evita o rasgo da clara derme
E o abrupto grito da língua
E a consequente queda do corpo

Sem as garras de passarinho
Vale-se das asas de homem livre
Preso à rotina de voos curtos
Nas cercanias baixas dos varais

Os mourões dobram-se à travessia
O arame descama ferrugens
Enquanto o olho descuida-se
A dois vãos de caminho

É quando o peso se pende ao chão
E o homem se vê gado que é
Feito de couro, carne e casco
A canga no lombo nega-lhe a fuga 

quarta-feira, julho 03, 2013

Mudez


meu silêncio é 
muro
que mura
que mede e
faz divisão

meu silêncio é
mudo
que muda
que mata e
joga no chão

meu silêncio é
murro
que esmurra
que amarra e
ata as mãos

meu silêncio é
tal qual um
grito ao contrário
desdizendo
desmudando
desmentindo eu

tal qual o
avesso das palavras
desvirando
desfalando
desescrevendo sons

tal qual um
rio que corre veloz
desviando
descaindo
desistindo de si

meu silêncio é
meu
tal qual seu corpo
seu
sal, selo e saliva

meu silêncio é
a nudez da voz
que me cala
a mudez da língua
que me alma

quarta-feira, abril 03, 2013

Confraria do Escritor na Feira do Livro de Joinville 2013


Em seu segundo ano de atuação em Joinville, a Confraria do Escritor retorna à Feira do Livro nesta edição com uma participação mais intensa e expressiva. Em 2012, o grupo que agrega mais de cem escritores locais e regionais estreou no evento com o projeto “Fala de Escritor”, atividade que reunia dois escritores e um mediador por sessão para um contato informal com os leitores a partir de uma temática. Neste ano, além de manter o projeto, a Confraria terá um estande próprio, num espaço para os escritores divulgarem seus livros e promover maior aproximação com o público.

A Confraria do Escritor também será destaque no palco principal da feira, onde integrantes e parceiros do grupo tem lançamentos de livros agendados. São 13 autores mostrando, entre estreias e relançamentos, suas mais recentes produções literárias, da poesia ao romance, passando pelo conto e crônica. No teatro Juarez Machado e no auditório Alcione Araújo a programação com a presença de confrades inclui ainda debates, fóruns e mostras. As atividades da Confraria do Escritor na Feira do Livro 2013 se estendem do dia 04 a 14 de abril. O estande do grupo estará aberto a partir de quinta (04), das 9 às 21h, até o último dia do evento.

A 10ª Feira do Livro de Joinville ocorre de 3 a 14 de abril no Expocentro Edmundo Doubrawa, junto ao Centreventos Cau Hansen. Além de autores locais e regionais, a programação deste ano conta com a participação dos escritores Carlos Liscano, Martín Kohan, Péricles Prade, Roseana Murray, Mônica Buonfiglio, Thalita Rebouças, Léo Cunha, Marina Colasanti, Ignácio Loyola Brandão e Afonso Romano de Sant'anna, entre outros. Confira a programação completa aqui.

segunda-feira, março 04, 2013

Fração


Nem metade do teu amor me prestaria
Nem ao menos metade do teu descaso
Nem ao menos uma parte de tua boca
Ou um dos teus olhos de coisa que rasteja

Nem um caco de teu beijo, vão desprezo
Uma porção de desejo, ira ou outro fogo qualquer
Nem o troco da vingança numa lança de metal
Nem a revanche das palavras, verbo, todo mal

Nem a metade de uma vida inteira
Um pedaço de luz num prato trincado
O resto do jantar esperando tuas fomes
A dois instantes do ponteiro atrasado

Nem o tempo perturbando as horas cheias
Nem metade de teus dias de menina
Uma fração de tua imagem no espelho
Ou mesmo um quase delírio à luz, sina

Nada, seja epifania ou arrebatamento
Seja ordem, desordem ou clarividência
Nem mesmo o teu sangue sem tuas veias
Ou só tua pele em pura fosforescência

Um grito estanque, de voz envelopada
A alma fraturada no osso do abismo
Onde nem mesmo o vento alcança voo
E mesmo o eco se dissipa no caminho

Um pulmão soluça entre as frestas da carne
Enquanto as lâminas de ar afiam a dor veloz
A cada grão que despenca da ampulheta
Estilhaços esmerilham o rosto feito de nós

Nem mesmo o trecho de uma música sem refrão
Ou ao menos o sonoro velejar de oceanos ancestrais
O fôlego que se perde na estrofe dos segundos
Só mesmo no murmúrio de teus lábios verticais

terça-feira, janeiro 01, 2013

Desviu


mio                                   pia
aassttiiggmmaattiissmmoo
fotofo, Bia
vistaacaansaadaa
extra-abismo
(olho) deslágrima (seco)
cat: a rat
c-gueira
Glau, coma!
hiper.metro.pia
con(junti)vite

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