sexta-feira, agosto 16, 2013

Equilibrista


Os pés descalços sobre o fio de arame
Tateiam o liso entre as farpas
A pele não dialoga com o metal
Mas sente quando a dor se avizinha

Cada passo, em milímetro, avança
Evita o rasgo da clara derme
E o abrupto grito da língua
E a consequente queda do corpo

Sem as garras de passarinho
Vale-se das asas de homem livre
Preso à rotina de voos curtos
Nas cercanias baixas dos varais

Os mourões dobram-se à travessia
O arame descama ferrugens
Enquanto o olho descuida-se
A dois vãos de caminho

É quando o peso se pende ao chão
E o homem se vê gado que é
Feito de couro, carne e casco
A canga no lombo nega-lhe a fuga 

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