sexta-feira, dezembro 31, 2010

Pelo Del Rocinante

O sr. Luiz Mendes, figura conhecidíssima dos donos de botequins, dos atendentes de motel, dos executivos da indústria petrolífera, dos leitores de Nietzsche, dos integrantes do grupo de poetas Zaragata, entre outros círculos (antis) sociais, agora está com o link de seu blog liberado.

Criado em 2006, o endereço nunca foi divulgado e também não aparecia nas buscas do Google. O blog era uma espécie de gaveta virtual, onde só o autor tinha acesso. Agora aberto para a humanidade, a profícua produção do poeta pode ser lida e comentada. Acesse http://pelodelrocinante.blogspot.com.

terça-feira, dezembro 28, 2010

Dois faróis

(um poema a quatro mãos, com Denise Warnecke)

Inútil lutar contra
vejo tudo depressa
na palidez do crepúsculo
simbólica distância
sou menos que desejo

noves fora dores
resta minha escolha
semblante em queda
meu rosto de asfalto
é impermeável à chuva

através da neblina
um sopro seco
um vulto de saudade
escorre pelos cantos

não lembro dos sapatos
das cores no semáforo
do cinza eterno do chão
vi teus olhos de trem chegando

eu, em descarrilo
sou menos que desejo
sou tudo que vejo
e não posso desver

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Véu das montanhas

Tenho a boca árida
A língua fissurada
A garganta deserta
Um céu de ar seco

Bebi os choros da noite
Bebi os orvalhos da manhã
Bebi as chuvas de verão
Mas ainda entardeço com sede
E ainda a sede me entardece

É meu castigo por estar acordado
Pela lucidez dos olhos abertos
Por escrever certo os silêncios
E gritar respeitando horários

Meu alento é uma brisa quase morta
Soprando duma árvore distante
Quando chega até o rosto
É quase um carinho de mãe
É quase um pingo de água

Isso explica a rouquidão
A escassez de palavras
O cuspe em sangue
O corpo de cão à sombra

Sei que o mar que me falta
É a cachoeira que procuro
Com águas tão sem cor
Quanto minha sede branca
Tão em queda quanto uma chuva

Deixo de caminhar na praia
E sigo ao encontro das montanhas
É onde dormem todos os sóis
E berço de todas as nascentes

sábado, novembro 13, 2010

Vendo nós. Tratar aqui.

O filho finalmente veio ao mundo nesta quinta-feira (11). E agora o filho almeja o mundo, como se o mundo fosse um brinquedo novo na vitrine de uma loja. (E não é?). Para adquirir o livro e dar asas a esse menino chamado “Os mesmos nós” e a essa menina chamada “Poesia”, faça o pássaro voar, mova o vento, abra a mão.

Entre em contato no e-mail jotabe.jb@gmail.com, faça seu pedido e informe nome e endereço completos. Retornarei com as informações necessárias. Se preferir, o livro também está à venda na Midas Armazém Cultural, na loja física (Rua Dr. João Colin, 475, Centro - Joinville) e na loja virtual (http://www.livrariamidas.com/).

Saiba:
Livro: “Os mesmos nós” (poesia)
Autor: João Batista (JB)
Editora: Design Editora
Nº de páginas: 112
Preço de venda: R$ 10
Contato: (47) 9936-9524 / (47) 3467-7561

segunda-feira, novembro 01, 2010

Release oficial: "Os mesmos nós"

O LIVRO
Com poemas escolhidos a partir do blog Caixa de Ressonância, “Os mesmos nós” reúne 60 textos produzidos entre 2005 e 2009 e já publicados no site. O trabalho, que representa a estreia do autor em livro, firma-se na poesia como gênero principal, embora vários textos enveredem pela prosa poética, valendo-se de características da crônica ou do conto.

O livro está dividido em sete capítulos, cada qual referenciado num tema, numa figura, numa imagem ou numa ideia que funciona como elo comum entre os textos. As relações são, às vezes, absurdamente explícitas, e, em outras vezes, absurdamente camufladas. A criação dos textos apoia-se em elementos da natureza, como o fogo e o gelo, em cenários do cotidiano, nas paisagens comuns à vida na cidade, na presença simbólica (e concreta) da mulher e da criança no contexto social e, entre outras alusões, em reflexões inerentes à contemporaneidade, envolvendo questões existenciais, de relacionamentos, da busca pelo divino e da procura de cada individuo em achar seu lugar no mundo.

O aspecto multitemático do trabalho é marcado transversamente pelo uso de figuras da linguagem que tratam com ironia, sarcasmo, humor e falsa retórica os assuntos abordados pelos textos. O poema em si não tem e não deve ter função alguma, mas ele provoca sempre algum reflexo, seja o de espanto, seja o da indiferença. Nesse sentido, “Os mesmos nós” é meramente um anteparo para se perceber o óbvio e o inusitado que diariamente assombram o mundo.

O trabalho tem texto de apresentação do jornalista Gleber Pieniz. O escritor Rubens da Cunha, grande incentivador para que o projeto se concretizasse, também traz um texto de referência na orelha do livro. A ilustração de capa é assinada pelo chargista Paulo Horn. A publicação foi viabilizada com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Joinville, Fundação Cultural de Join­ville e Simdec (Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura), através do Edital de Apoio à Cultura 2010, e sai sob a coordenação editorial de Carlos Henrique Schroeder, da Design Editora, de Jaraguá do Sul.

SOBRE O BLOG
O blog Caixa de Ressonância, iniciado em 2003 com conteúdo generalista, se firmou a partir de 2005 com foco em textos literários, sobretudo poemas (a maior parte), crônicas e contos. A publicação, que nunca foi sistemática nem exaustiva, surgiu e se desenvolveu sem a mínima pretensão de virar livro posteriormente, ou qualquer outro formato fora dos limites virtuais. Era apenas um projeto pessoal, livre, feito apenas para orientar o trabalho de escrita do autor.

O começo da participação do autor no grupo de poetas Zaragata, o contato com outros blogueiros do mesmo gênero, o intercâmbio com escritores locais e regionais, o advento do Simdec como mecanismo de incentivo à produção cultural e a presença mais forte da literatura joinvilense nos âmbitos culturais locais, geraram, naturalmente, motivadores para uma futura estreia em livro. A sugestão partiu dos colegas do grupo Zaragata e ganhou força nos últimos anos. Como a produção de textos para o blog já rendia material suficiente para uma publicação física, o que era apenas sugestão e ideia, virou, de fato, um livro.

O projeto não se tratou de transformar todo o conteúdo do blog em livro, mas de compor um livro a partir da seleção dos textos de poesia publicados no blog ao longo desses anos. Os demais conteúdos permanecem, ao menos por enquanto, exclusivos no espaço virtual. Mais do que encarnar parte representativa do blog no suporte papel, o projeto de publicação de “Os mesmos nós” insere-se dentro de um movimento de renovação da poesia joinvilense e sua inserção no contexto cultural local. O apoio de instituições, a iniciativa de militantes já conhecidos da literatura joinvilense e o suporte de incentivo e viabilização fomentados pelo poder público são matrizes principais desse movimento, ainda que talvez tímido ou carente de continuidade, mas, em todo caso, existente e potencialmente animador.

SOBRE O AUTOR
João Batista (JB) da Silva, 29 anos, natural de Imaruí (SC), é jornalista formado pelo curso de Comu­nicação Social da Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc, em Joinville. Integrante do grupo de poetas Zaragata desde 2004, também foi sócio-fundador da As­sociação Joinvilense de Letras (Ajole), entidade hoje inati­va. Além de ter colaborações em sites e blogs de literatura e poesia, mantém um blog na internet (http://caixaderessonancia.blogspot.com/), onde escreve periodicamente poemas, crônicas e textos experimentais, alguns dos quais também publicados na imprensa local. Participou do li­vro “Cordames e Cordoalhas” (2006), coletânea de textos produzidos por poetas do grupo Zaragata e ilustrados por membros da Associação dos Artistas Plásticos de Joinville (Aaplaj). Em 2008, integrou a coletânea do Prêmio Join­ville de Expressão Literária, com os trabalhos premiados nas edições 2006 (3º lugar em Conto/Crônica) e 2007 (1º lugar em Conto/Crônica e 2º lugar em Poesia) do concurso. Atualmente trabalha como repórter do jornal Notícias do Dia, em Joinville.

SERVIÇO
O Quê?
Lançamento do livro “Os mesmos nós” (poesia)
Quando?
Dia 11 de novembro de 2010, a partir das 18h30
Onde?
Midas Armazém Cultural (Rua Dr. João Colin, 475, Centro, Joinville)
Quanto?
Entrada Gratuita (Preço do livro: R$ 10,00)
Contato? (47) 9936-9524 / (47) 3467-7561

terça-feira, outubro 26, 2010

Fugas, voos e nós


Eles escaparam das teias da Rede e agora estão atados à prisão branca do papel. Uma fuga inútil à primeira vista. Mas não. O risco valeu por uma cela maior e mais arejada. Um brilho fácil nas bordas da parede. O cheiro novo. A tinta fresca. As visitas mais demoradas. Uma nova casa. Apesar da mesma sentença, os mesmos crimes, os mesmos nós.

Os mesmos nós que amarram o real ao imaginário, o virtual ao concreto, a liberdade ao cárcere. Estes mesmos nós que nos fazem dois ou três, talvez leitores, escritores, passantes, aventureiros ou sei lá, prisioneiros na casa sempre aberta das palavras. Das palavras que se somam e se multiplicam e que até se dividem, mas são sempre mais que uma, mais que verbo, ação ou tato. Estes mesmos nós agora somos todos nós.

Nós que carregamos mortes nas costas e levamos vidas no colo. Nós que amamos de menos e nos vingamos demais. Nós que perdemos sempre o nascer do sol e aprendemos a nos contentar apenas com fotografias. Nós que não lembramos os sobrenomes dos amigos. Nós, traficantes, assassinos, corruptos. Nós, feitos de delinquente inocência, que não temos nossos delitos destacados nos jornais. Nós que fugimos sempre e que sempre voltamos. Nós pródigos e egoístas, tão nós mesmos e tão os outros.

Na tentativa de serem livres, 60 fugitivos saem desta Caixa para serem livros. Eles serão lidos, vistos e revistos com outros olhos. Mas não se iluda: são bandidos já conhecidos. Eles falam de fogo, mas são frios e impenitentes. Eles poetizam as manhãs, mas sempre tiveram as noites como casulo. Eles inventam palavras, mas não conseguem repeti-las no dia seguinte. Eles caminham na rua como um morador qualquer, mas os olhos planejam os crimes da madrugada. Eles prometem às donzelas um reino distante e feliz, mas um amor que empunha fuzil dura pouco. Eles podem até ser engraçados, mas cada graça prenuncia novas arrogâncias.

Os mesmos nós” traz o que nós somos somado ao que nós imaginamos ser. Um livro de extremos, de dualidades, de paradoxos, de conflitos, de falsos crimes perfeitos. De um lado o leitor livre pode julgar e condenar o texto preso, talvez ignorando que, na verdade, é o texto livre que julga e condena o leitor preso. De prisões às liberdades, o que muda são as grades, as correntes, as cordas. Os pesos são os mesmos, os elos são os mesmos, os nós são os mesmos.

Dá para alçar voo com essa bola de metal presa aos pés? Tentaremos. Voar é fugir para cima. Fugiremos.

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SOBRE:
O Quê? Lançamento do livro “Os mesmos nós
Quando? Dia 11 de novembro de 2010-10-27
Onde? Midas Armazém Cultural (Rua Dr. João Colin, 475, Centro, Joinville)
Quanto? Entrada Gratuita (preço do livro: R$ 10,00)
Informações? 9936-9524 / 3467-7561 c/ JB

terça-feira, outubro 19, 2010

"Os mesmos nós"

Amar uma árvore, plantar um livro, escrever uma mulher.
Ou alguma coisa nesse sentido.



Breve. Em 11/11/2010.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Vida e obra

Seguraram-me com dedos firmes
Forçaram-me contra a parede
Inflamei-me da cabeça aos pés

Morri
Mas fiz o fogo para o café da manhã

quinta-feira, setembro 09, 2010

O blog Notas Mínimas, da jornalista catarinense Katherine Funke, virou livro



A coletânea de microcontos “Notas Mínimas” (128 pag.), de Katherine Funke, chega às livrarias em agosto em edição ilustrada por Enéas Guerra, com design de Valéria Pergentino, da Solisluna Editora. O livro já está à venda no site da editora e, em breve, estará nas principais livrarias.

Notas Mínimas” traz uma seleção dos melhores microcontos do blog homônimo mantido pela autora em 2007 e 2008. São narrativas curtas, mas capazes de proporcionar reflexões existencialistas, humorísticas e metafísicas. São textos em prosa poética que pretendem captar o que há de sublime na vida.

"Meus contos seguem a estética minimalista, isto é, narram com economia de palavras cenas fugazes de extrema beleza ou absurdo ", explica a escritora, que também é jornalista profissional. Em 2006, foi premiada no 3o. Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo e em 2009, uma reportagem em quadrinhos da qual participou como co-roteirista foi finalista do Prêmio Esso de Jornalismo, categoria revista / criação gráfica.

O poeta e jornalista Wladimir Cazé (“Macromundo” e “Microafetos”) assina a orelha da publicação, onde pontua: "uma sabedoria selvagem emerge destes aforismos, microcontos, crônicas em cápsulas e minirreportagens poéticas".

NA FLIP
Catarinense radicada na Bahia há oito anos, Katherine, 28, comemora em agosto o lançamento do primeiro livro e a seleção para participar da concorrida oficina literária da Festa Literária de Paraty (Flip), de 4 a 8 de agosto.

No momento, está escrevendo o romance “Maria João”, em parceria com Luis Claudio Daltro (projeto vencedor de edital da Fundação Pedro Calmon, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia).

SURREAL
Com design que remete à linguagem dos fanzines, o livro também se destaca pelas ilustrações psicodélicas e surrealistas de Enéas Guerra. O artista é co-autor de dois livros infanto-juvenis com o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger, publicados nos anos 1980, e acaba de publicar “Vaporzinho” (Solisluna). Versátil, ilustra também outros lançamentos da editora, como "Margarida Bem Me Quer", de Débora Knittel.

Na 21a. Bienal do Livro de São Paulo, a Solisluna Editora está lançando um total de dezesseis títulos, entre literatura, literatura infanto-juvenil, cultura afro-baiana, história, livros técnicos e livros de arte.


Profecia

A noite abre as pernas devagar
Arreganhando no céu
A nudez negra da perdição

No profundo das horas
O lobo uiva suas porras
A madrugada orgasma

O arrependimento acordará cedo
Não fará a prece da manhã
A dar tempo para aquecer o café
E vestir a pele limpa dos cordeiros

À tarde, no pasto, morrerá.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Autoelogio

Ajoelhando-se atrás dos montes
O sol venera a tarde

quarta-feira, agosto 18, 2010

Marco Vasques em Joinville para lançamento de três livros

O poeta, escritor e crítico joinvilense Marco Vasques, atualmente radicado em Florianópolis, estará em Joinville na próxima terça-feira, dia 24, para o lançamento dos livros “Flauta sem boca” (poemas), “Harmonias do inferno” (contos) e “Diálogos com a literatura brasileira – Volume III” (entrevistas). O evento acontece no Gutz Bar (Rua Ministro Calógeras, 1407, Centro), a partir das 19h30.

Flauta sem boca
Amplia a temática da condição coisificada e urbana do homem contemporâneo iniciada no livro “
Elegias Urbanas” e que terá ainda uma última abordagem com “Anatomia da pedra”, a ser lançado em 2011, formando, nas palavras de Vasques, “uma espécie de trilogia da urbanidade”.
Editora Letras Contemporâneas
Poemas, 70 páginas, R$ 25
Ilustração: Fernando Lindote
Prefácio: Péricles Prade
Posfácio: Luis Serguilha

Harmonias do inferno
Segunda edição do livro de contos lançado em 2005.
Editora Letradágua
Contos, 119 páginas, R$ 25
Prefácio: Cláudio Willer
Pósfácio: Rodrigo Schwarz
Desenhos: Rodrigo de Haro

Diálogos com a literatura brasileira – Volume III
Em publicação viabilizada pela Lei Rouanet, Marco Vasques faz um recorte literário do sul do Brasil reunindo entrevistas com 30 escritores da região: Ademir Demarchi, Amilcar Neves, Claudio Cruz, Cleber Teixeira, Dennis Radünz, Donaldo Schüler, Fábio Brüggemann, Fernando Karl, Flávio José Cardozo, Ivan J. Panchiniak, Jayro Schmidt, José Eduardo Degrazia, Maurício Arruda Mendonça, Michel Laub, Ricardo Corona, Roberto Gomes, Beatriz Bajo, Cristiano Moreira, Fernando Koproski, Jaime Medeiros Jr., Karen Debértolis, Rafael Meireles, Ramone Abreu Amado, Raquel Stolf, Ryana Gabech, Ronaldo Machado, Rubens da Cunha, Telma Scherer, Vinícius Alves e Vinicius Lima.
Editoras Letradágua e Movimento
Entrevistas, 416 páginas, gratuito
Prefácio: Péricles Prade

Quiosque

Ilha chorando
oceana

Onda entardecendo
espraia

Sol fraquejando
gaivota

quarta-feira, agosto 11, 2010

ID

Sou fraco
Não consigo dormir de olhos abertos

E louco
Porque vejo muros

E além dos muros, mundos
Miniaturas de mundos
Reinos mapeados
Terras recortadas
Nações desenhadas nas retinas

E feroz
Assusto a plateia, eu sei

As pálpebras cortinam meu espetáculo
O terrível espetáculo de ver
Quando é mais lúcido imaginar
Seguro a cartola com mãos de sangue
Os coelhos estão mortos sobre o palco
Espalhei dinamites nos cantos da sala

Não quero o mal de ninguém
Quero maestrar a revoada
De todos esses pássaros sentados

Eu vejo: e ilhas navegam
Eu pisco: e continentes emboram-se
Eu tenho um planisfério em cada olho
E vejo muros dividindo países
As cercas, estações

Sou louco assim, de riso nórdico
No inverno, todos verão

Ou talvez
Ou não
Quem é cego, não pisca
Quem vê, dorme demais

Todo olhar arregalado é falso espanto
Se não fraquejar no choro
Pelos cantos loucos dos muros
Nas entrelinhas de uma insônia sem luar

quarta-feira, julho 28, 2010

Aguilhão

Um grito ungido
Atravessa a noite esburacada

Febril é o coice
Brancos, os dentes
E por que não?

Come o pasto alto das verdes esquinas
Faz o trote altivo dos grandes serviçais
Foi feito em lâmina e pedra trabalhadas
A cara, o pelo, o relinchar
A espátula alisando sempre
O orgulho equestre

Pisa cruelmente as sombras
Esmaga tudo que rasteja
E sombra é luz que rasteja
: serpente particular do que brilha
E o que brilha sempre esquece que tem pés
: pensa que voa

Pensa que voa
E está tão ao chão quanto uma tartaruga
E está tão frágil quanto uma teia de aranha caseira
E está tão à morte quanto um porco gordo

Quando a sereia sibila no beco das penumbras
De nada serve o pelo escovado
O dente clareado ri morto
Os olhos claros não podem ver a última unção
Gritam e brilham, apesar

Apenas

segunda-feira, julho 19, 2010

Agrivídea nostalgez

Astrolimbos merivam escalvos
Paramáceas esfacham disomeias alecrins
Rimos, ruzem prozáqueos, de leidas desafaduadas
Alsomas mesclafinam aperatas no glovame
E tu, lopamente, destrina a vague mordesquida

Bemiros parjeiam às esmeragens sangueiras
Divanos pulcram estrites de sanicidades
Ao lire, frica na cantena efusos dreitosos
Mastados ameiam farelhos raiantes
E tu, saticamente, desluva o obne afermado

Ristinas esgueiam molges
Cardas joneiam luzes cemacerosas
Asneivas, pirmanescentes, longeiam urtos
Gormões levinam no desforar das petes
E tu, cerânea, deslapa uma purda agrividez

Cerempes marilam em desvantes
Dersados na frímula répoa de pardente closa
Vardes e tranges defragam a trute lez
E respam, nos lagários, menizes de caifa
E tu, polado eu, desmabra conflagens leniências

quinta-feira, julho 01, 2010

Saramago decide morrer

Esse puto de Lanzarote. Esse velho gagá. Esse evangelista apócrifo. Esse jangadeiro avesso ao travessão. Que atravessou mares nunca dantes navegados (e que me odiará pelo uso do clichê estúpido). Esse quatro-olhos de torrar a paciência, de provocar o riso, o ódio, a fleuma, aquela mulher sem nome, seu José. Esse ditador que não dava ponto sem nó, e sem dó, sem mi nem fá, soltava a corda para o desgraçado do leitor se enforcar. E a corda, como a cobra, era cega. E fugia, e rugia, e amarrava o mundo num pé de elefante. Esse cabeça de fuinha da terra onde José é todos os nomes. Esse senhor de memórias subterrâneas. Esse sujeitinho que, dizem, flertava com o Cão e, ao mesmo tempo, tinha a bênção do Espírito-Que-Paira-Sobre-A-Água-Do-Aquário. Esse português revestido de pele de tartaruga nos deixou.

“Nos deixou” é um belo eufemismo, não é seu José? Que belo verbete nos deixastes. “Desta para uma melhor”. E, nós, nesta merda toda aqui. A ver navios, enquanto viaja o rei. Que bela sexta destes para as gentes. E, sábado, ninguém morreu: é sempre assim. Nas segundas é que esperamos notícias ruins. Não dá para ser otimista desse de jeito. Nem um quase-otimista, meu caro senhor. Custava ser infinito e absurdo como teus parágrafos dos diabos, e não “nos deixar”? Custava enrolar mais um pouco tua vidinha de pescador, assim como fazia com tuas estórias (igualmente de pescador), cheias de bifurcações, armadilhas e emaranhados? Custava, seu sovina? Serás crucificado agora. Serás o mártir da língua portuguesa. E saberão que também és filho de Deus, ó pobre diabo. E que morres, e que fedes, e que, sendo pó, voltarás ao pó do Ribatejo. À sombra de uma oliveira, é claro, mas isso pouco importa. Se à terra pertencias, ressuscitarás como o Cristo? Não. Como está escrito, Ao homem está ordenado morrer uma só vez.

Que espantosa notícia forjastes para por nos jornais. “Escritor português”, diziam. É preciso esclarecer, já que vivias encafurnado num pedaço de Lua. E os grunhidos que se multiplicaram no tuíter? Chegaram ao último degrau mesmo! “Morreu Saramago”, me avisou um outro José, também destas bandas. É claro que, se fosse “Morreu José”, que importava? José é o velho Joãozinho das histórias: é todo mundo e ninguém. Mas, não: era Saramago. Como assim Morreu Saramago? Morreu, aquele do Evangelho, do Nobel, aquele comunista, aquele boca-suja, aquele da Lua. Sério? Não pode ser! Pode, já tava velho também. Não, não pode! Morreu A-Puta-Que-Te-Pariu, seu José, com o perdão da palavra. Decidistes morrer, como decidistes abolir pontuações e outras tranqueiras. E tramastes tudo desde o começo. Diga, eu sei.

Esse senhor é um safado. E que corte bem feito de um safado! Querias o quê? Agradar ao papa, pagar os pecados? Confessa, vai. Ou melhor, escreva. Lerei tudo, prometo. E nós, para onde iremos? Ficamos numa situação lamentável, agora. Morreremos? Ponto. Parágrafo. Travessão. É o fim de todos nós! É? “Basta estar vivo”. Magoou. “Sara”. Estás de palhaçada, é? À toa.

quarta-feira, junho 30, 2010

Nicodemus

Quando você nascer de novo
E teus pés ancorarem na praia
E tua nau feita de cedros
E tua espada de pirata bêbado
E teu mapa velho rabiscado

Quando você nascer de novo
E as ondas silenciarem nas rochas
E os marujos remarem com força
E as bandeiras tremularem vivas
E teu tesouro dentro do baú

Quando você nascer de novo
E tua gripe voltar forte
E teus prisioneiros fugirem
E tua ordem cega e louca
E tua roupa de escrivão

Quando você nascer de novo
E tuas cartas apagadas
E todas as garrafas vazias
E os ventos latirem como cão
E teu amor à deriva

Quando você nascer de novo
E teus livros fáceis esquecidos
E as palavras boas roídas
E teus serviçais rebelarem
E tua fé envenenada

Quando você nascer de novo
E tua ilha de uma rua só
E teu alimento diário
E a morada à beira-mar
E o naufrágio da morte
E teu sorriso de Deus

segunda-feira, junho 21, 2010

Aragem

Sob um céu de nuvens fáceis
O dia respira com a garganta inflamada
As buzinas estão roucas
As pessoas pigarreiam murmúrios tortos
E as esquinas estão lá, seja dia útil ou feriado

A brisa é um vento de engenho gentil
Faz esquecer as tragédias por trás de seu colo de mãe
Quando o dia termina no último farol vermelho
Lá vem a hora do vampiro
E os resfriados da noite não respeitam nem crianças

A sombra dos prédios atravessa tudo que se move
O sangue só circula porque corre da penumbra fria
Enquanto os dentes mordiscam fumaças
O asfalto lamenta ser chão
E a cidade só é bonita olhando-se das montanhas

segunda-feira, maio 31, 2010

Traços de uma manhã simples

O sol cortado
A janela cega
O telhado em suor
A grama em bocejo
A cozinha sem cheiro
O pássaro mudo
O parque chamando crianças para brincar

Na cama, dorme o velho
Na xícara, resto de café de ontem
Na parede, o mesmo calendário de gatos de 2008
Na geladeira, imãs prendem lembretes da semana passada
No armário, biscoitos doces amolecidos
No portão, o jornal do dia

A casa cheia de rugas se entardece
O dia branco e liso se amanhece

Não há quem note a grama
Ou o pássaro
Ou o parque
Ou o telhado
Ou o café
Ou os biscoitos
Ou o velho

Ninguém se lembra de manhãs
Ou rugas
Todos se lembram do meio-dia
É quando bate a fome
É quando o velho quer comer

terça-feira, maio 18, 2010

Infante maré

precisas andar, caro menino

teu tesouro está guardado entre árvores centenárias
longe das pedras pequenas, perto de sombras tranquilas

busque além das moradas e dos prédios movimentados
os carros velozes não te servirão; vá à pé

siga na hora branca das manhãs, antes dos bocejos do mundo
no clarecer verás a beleza de tua jornada

teus passos virgens caminhem por virgens paragens
despreze as trilhas marcadas por pés vadios

teu caminho seja só teu
tua distância seja do tamanho do teu querer

quando chegar às folhas secas, sorria
também há outono no litoral

precisas andar, caro menino
navegar no teu barco colorido de dias

vai: que o mar não tem esquinas
vai: se chover na água, serás elevado

sexta-feira, abril 30, 2010

Pênsil prisão

Balançam em tardes de travesseiros
Caras roídas de socos e torturas
Olhos tristes de sapo
Pele de seco cimento

O crime perpétuo
O vício puro
A fraqueza bem tratada
- tudo à mente

Estaca de dia a bigorna do sol
A noite em corda é pênsil prisão
Todo sussurro é grito riscado
Na tábua do sono, rios sem vazão

Vãs madrugadas em retalhos
Servem à feitura de lençóis
Erros costurados à mão
Com traves e troncos nos olhos

Na curva ribeirinha da culpa
Remorsos engalham-se, quebradiços
À berlinda das pálpebras
Lágrimas não se sustentam
(pedem chão)

Longa travessia de passos parados
Distantes da longa margem ainda
Auroras dormem com rugas meninas
Maisdias-menosdias, tudo se finda


________________
P.S.
Aos visitantes costumeiros e eventuais, a demora em postar é involuntária.
A pena está firme nas mãos. Embora as mãos, nem sempre, firmes.

quarta-feira, março 31, 2010

Promessa

Mil olhos te veem
Mil pedras te ignoram
És humano fraco e sujo
És pobre e lento
És atropelo e vergonha

Mendigas a vida
Às vidas que passam presas às pressas
És mortal e vives
És vivente sem fôlego
Esperas a morte
- uma esmola que nem o diabo dá

Desesperas de tudo
Das crianças, dos velhos, dos cães até
És árvore infrutífera
És tronco de carne podre
És resto de desmatamento

Mil moedas não te levantarão
Mil preces não te salvarão
Verás ainda muitas tardes
Falarás mal da chuva e dos jovens
Serás testemunha do fim

No dia da sega dos olhos
As pedras clamarão
E tu, ainda fraco e sujo,
Não terás nem indiferença nem desprezo
Serás só, único, soberano

Ouça os muros, as calçadas, os postes
Olhe os telhados, as placas, o asfalto
Eis teu reino, eles serão teus súditos
És um escolhido, creia
Serás rei e ninguém te invejará

quarta-feira, março 17, 2010

Hebdomática

Cabeça
Este é o tempo das degolas.

Pescoço
Nunca uma girafa se enforcou.

Peito
Todos os ventos que já suportastes não te fazem balão.

Braço
Os fracos não vão à guerra porque precisam enterrar os mortos.

Mão
Se for pra jogar pedras, que ao menos acerte.

Joelho
“Orações feitas em pé não são atendidas. Favor não insistir.”

Calcanhar
Muitos acreditam nos precipícios só devido às flores.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Pequeno tratado à la Twitter sobre a vida

A vida não é apenas uma batalha. É a guerra toda.

domingo, fevereiro 07, 2010

Eu, réu-mor

Meu poema é paz, é pólvora, é fonema
Meu poema é praga, é prece, novena

Meu poema risca, faísca, acena
Meu poema perdoa, padece, ordena

Meu poema é prosa, coisa pequena
Parece peteca, palavra de pena

Meu poema é câncer, doença, gangrena
Meu poema é parte, é pouco, centena

Meu poema é pó, prisão, quarentena
Parede de pedra, pirão, maisena

Meu poema é porco, é pato, é hiena
Meu poema prende, prova e condena

Meu poema dorme, acorda, serena
Meu poema pifa, para e engrena

Meu poema é onda, é raio, é antena
Meu poema é pântano, piso, arena

Meu poema é dia, é mês, é quinzena
Meu poema é porto, ponte, safena

Meu poema cura, mata, envenena
Meu poema é puro, é puta obscena

Meu poema não é meu poema
Meu poema é pássaro em cantilena

Meu poema não é problema meu
Meu poema é dilema de quem leu

Meu poema não é poema meu
Meu poema, escrito, morreu

Meu poema, morto, é maior
Meu poema, eu, réu-mor

sábado, fevereiro 06, 2010

Meditação

"Há sempre, por mais difuso e frágil, por mais inapercebido, algo que nos provoca, nos instiga, um som, uma imagem, uma palavra entreouvida, uma frase, uma flor, um perfume, um sopro invisível impalpável imponderável que me leva a retomar a luta que acreditava perdida."
Salim Miguel, in: Confissões Prematuras

sábado, janeiro 30, 2010

Poetas no Singular

Os caminhos da poesia fizeram uma nova encruzilhada onde se encontram os singulares poetas catarinas Antonio Carlos Floriano, Cristiano Moreira, Dennis Radünz, Rubens da Cunha, Raquel Stolf, Marco Vasques, Marcelo Steil, Valdemir Klamt, Ryana Gabech, Fernando José Karl e seus textos já sabidamente fodas. O convite é para você se achegar por lá, sentar-se à beira da estrada e entrar na conversa.

O ponto de parada é aqui: http://poetasnosingular.blogspot.com
ou aqui: http://www.poetasnosingular.com.br

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Litoral

Se ela fechar os olhos
Verá o revoar dos pássaros antes de sua caminhada clandestina na praia
Ouvirá o som do mar explodindo o sono da manhã domingueira
Sentirá a areia entre os dedos e os pés marcando na orla seu rastro feminino
Respirará o cheiro marinheiro do vento a encher de gaivotas seus pulmões
Lembrará do gosto de sol beliscando sua pele rosada e doce
Pensará nas segundas-feiras com um rochedo que grita pelo bater das ondas
E nas sextas-feiras como um oceano gentil pronto a receber os jangadeiros

Mas seus olhos abertos são quentes de fogo
Dois pés descalços sobre o asfalto fervente
Tochas vermelhas famintas pelas trevas
Brasas faiscantes cuspidas por trovões

Ela não dorme nem descansa: é incêndio sempre
Deixou a luz entrar nos olhos como se recebe um vendedor de espelhos no portão
Vive de imagens, reflexos, cortes, explosões e pimenta na comida
Não sabe mais o que é uma nuvem, uma palavra, um copo de água
O olhar é vigilante insone na agenda de horas marcadas

Se eu chegasse de repente e cobrisse teus olhos com as mãos
Adivinharia quem sou?
Lembraria de um perfume antigo?
Reconheceria meu toque desalinhado de criança insegura?
Sentiria saudades das sombras avessas sob a soleira de manhãs simples?
Ou queimaria meus dedos já castigados pelo sal?
Ou mutilaria minhas mãos nas quais tenho o mapa de tuas profundidades?
Ou se esquivaria a modo de quem foge de um selvagem ou de um turista perdido?

Não
Ela é sempre atenta: farol, faísca e furor
Sentiria de longe os respingos de minha sombra fácil

Ceguei meus olhos para não vê-la assim
Ao estender o lençol da escuridão a vejo como antes
Menina de riso
Mulher de alma
Vício de verão

Ela soube. Ela chorou minha cegueira.
Chorou sem fechar os olhos.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

O dia binário

Hoje é um dia sem meio termo. Hoje impera a exatidão da matemática. A frieza da razão. O abraço dos extremos. A morte dos atravessadores. Hoje o dia é sim ou não, sem talvez ou depende. Hoje o dia grita ou cala, explode ou encolhe, voa ou rasteja. Não tem meio termo. Hoje é um dia inédito que nunca mais será repetido. A vida hoje exige ser inteira. Não faz concessões. Não há opções. No abismo entre 0 e 1 repousa qualquer possibilidade de existir. Pule, atravesse, mergulhe. Ou pare e espere o apocalipse do infinito amanhã. Hoje é dia de decisão.

Hoje Bhaskara, Euclides, Newton, Pitágoras, Pascal, Talles de Mileto e outros comparsas se reúnem na tua mesa. Olham no teu olho. Bebem do teu café. E decidem teu futuro. Hoje eles te colocam num dilema. E o dilema é uma ponte. E o dilema é uma corda. E o dilema é uma atitude. E não admite ser um não-dilema. Hoje os números de gelo te forçam à vida. Te colocam numa encruzilhada de uma rua só. Não é sempre que se tem escolhas. Duas escolhas, para ser exato, neste dia. Duas pontas, duas saídas, dois lados. A porta ou a janela. Direita ou esquerda. Acima ou abaixo. Hoje reina os inteiros. Mataram as metades do comodismo. Hoje não tem equilíbrio. Hoje é dia radical.

Hoje o bispo engasga com maniqueísmos. Relembra o céu e o inferno. Crucifica a miséria e aplaude a riqueza. É tudo ou nada para você. Deus ou diabo na terra do sol. Ou dá ou desce. Para o bem ou para o mal. Sem misericórdias. Hoje é um dia sem perdão. Hoje jogam pedras nas prostitutas. Hoje ninguém lava as mãos. É dia de matar ou morrer. De comprar ou vender. De parar ou seguir. É um dia de pedra, de cruz e de espada. Dia de dois gumes. Tempo de fogo e purificação. O encontro do abutre com a andorinha, da hiena com o cordeiro, do lobo com o cão. Hoje é dia de confronto. De guerra particular. Um medo e uma coragem na mesma sala, no mesmo sofá, lado a lado. Hoje é dia da verdade. O beijo de língua. Ou o escarro no rosto.

O hoje estupra tuas desculpas. Desnuda tua indiferença de cortina florida. É dia que carrega nas mãos uma tenaz contra teu peito aberto. E marca na pele branca o desenho quente do medo e da tortura. Não há escape. O hoje é ordinário e metódico. Exige alma cartesiana. Concentração e cálculo. E paciência de prisioneiro. Hoje não tem plano B. É dia certeiro. Hoje são descobertas todas as armadilhas. Os muros caem, o véu se rasga, tudo é posto à prova. Não há caminho alternativo. Hoje, dia 01/01/10, é dia binário. Bomba-relógio digital. Conta o tempo até a próxima aurora. Ou até o próximo enterro. O hoje anseia ser decifrado. É dia egoísta, filho único do calendário. Ele não dá regalias. Apenas dois pães secos. Dois números solitários.

0 e 1, 1 e 0. Eis teu brinquedo. Teu Lego de duas peças. Tua faca e teu queijo. Teu quebra-cabeça macabro. Faça as combinações. Ache a senha, o código, a passagem secreta. Não se distraia. Siga as regras. Livre-se das emoções, enquanto os outros fazem as apostas. Cara ou coroa? E nenhum outro dia será tão exato quanto hoje.
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