quarta-feira, dezembro 21, 2011

Retrospectiva 2011

Rio de Janeiro
Fevereiro da Silva
Águas de Março
Abril Despedaçado
A Revolução de Maio
Três Dias em Junho
Sombras de Julho
Rapsódia em Agosto
O Último Setembro
Outubro Vermelho
Doce Novembro
Uma Vez em Dezembro

terça-feira, novembro 29, 2011

Livros "esquecidos" viram bem comum em projeto da Biblioteca Municipal de Joinville


A Biblioteca Municipal de Joinville "esqueceu" em vários pontos da cidade mais de 70 títulos de literatura. Trata-se do Projeto "Soltos na Cidade", que pretende deixar em praças, pontos de ônibus, bares ou qualquer outro lugar, livros que podem ser levados para casa e apreciados sem compromisso. A ideia é que o leitor "esqueça" também o livro, depois de lido, passando adiante a obra e o despertar da leitura.

Soltos na Cidade é uma das ações do município que fazem parte do Programa Joinville Cidade dos Livros e, segundo, Alcione Pauli, coordenadora da Biblioteca, está apenas no início. A ideia é que muitos livros que já estejam catalogados e com exemplares sobrando, façam parte do projeto. Escritores que fazem parte da Confraria do Escritor já doaram livros seus para o "Soltos na Cidade".

A pessoa que pegar o livro, lerá na primeira página o seguinte texto:
"Esse livro chegou até você. Ele não pertence a ninguém. Está Solto na Cidade! Após ser lido, ele poderá ser deixado (esquecido) em praças, pontos de ônibus, bares ou qualquer outro local público, para que seja achado por alguma pessoa interessada em lê-lo. Faça o mesmo, libere os seus próprios livros para que outros possam aproveitá-los! Caso queira, mande-nos um e-mail com o seu comentário a respeito do projeto para biblioteca@joinville.sc.gov.br ou ligue 55 (47) 3422.7000. Boa leitura!"

É possível fazer doações para o projeto, desde que o livro não esteja rasgado ou rasurado. Os contatos são os mesmos do texto acima.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Por assim dizer

Nem sempre talvez seja quase
Às vezes, contudo, pode ser
Mas aí, quem sabe

Ao menos, agora, foi por pouco
Um estalo, se tanto, de entreouvir
No vão do olhar, por assim dizer

Talvez um pardal inquieto (e qual não é)
Um cisco no vento, quem diria
Dançando sem música

Também pudera ser a casa
Num ranger de dentes e tijolos
É muito imaginar, todavia

O mais provável, isto é, o impossível
Seria o quebrar dos gravetos
Por teus passos de pródigo, diga-se

Aliás, se, de fato, voltares
Me verás meio assim, sei lá
Entre vírgulas, entre tantos poréns

Contudo, não sei se isso foi há pouco
Ou uns três anos atrás
Quem sabe dez, ou quase

Quem dera dizer o certo, quiçá a verdade
Lembrar do estalo como explosão
No desabrir do olho
(ou no fechar derradeiro da porta, vai saber)

segunda-feira, outubro 10, 2011

Papel de parede

Um caco
tem
tantos cantos
quanto prantos
ambos espremidos
em miniaturas
no chão

Pra meu espanto
nem acalento
lágrimas
e
vidros
embora
transpareço opaco
em certas estações

Só planto janelas
ergo tijolos à vista
em ritmo lento
vento-burro-jumento
a pastar
entreedifícios

Uma folha-
árvore miúda
cai entre os estalos
: meus socos na parede
brancos ficam os dentes
ao mastigar o cerol

Ao misturar
a verdade
ao cimento se fez
a liga plúmbea
das crenças
adornadas pelo reboco
e
listelos decorados
em cerâmica

A pedra lançada contra
a casa só fortaleceu
a parede
ainda em construção

Por certo
um caco
cobre a calçada
um pé descalço
descuida ao pisar
,surge um dogma
entre os tendões

Te peço (e só) que
te repartas comigo,
um caco (que seja)
entre
teus
tantos
ladrilhos, estampas, recortes, vãos

Quem chora pra si (mesmo)
não vai para o céu
: escrevi com cal
no alto da torre
- sem assinar

Interstício

abandono.abismo.branco.brecha.buraco.cavidade.côncavo.corte.cova.distância.espaço.falha.fenda.fissura.fosso.fratura.fresta.furo.greta.hiato.intermitência.intervalo.lacuna.lapso.largo.oco.poço.prisão.profundidade.quebra.rasgo.ruptura.sulco.talho.tempo.trincheira.vala.vale.vão.vazio.voltamos.buceta.

segunda-feira, julho 04, 2011

Viração do dia

Na véspera de todos os delírios
Éramos jardim na praça da cidade
Árvores, cercas e flores
Alinhados ao caminho dos passantes

Nossa simetria cartesiana
Nossa disposição entre calçadas
Nosso respeito à ordem

Na véspera de todos os delírios
Éramos torre de vigia
Muros, pedras, montanhas
Um quadro na sala de estar

Nossa pureza de vida
Nossa medida certa
Nosso padrão categórico

E ao primeiro sussurro de hoje
Tudo se estilhaça

Árvores caídas
Cercas quebradas
Flores murchas
A queda da torre
O sangue no muro
A pedra e o tropeço
Os montes em fuga
A casa abandonada

E o olhar fractal
E as ruas caóticas
E os semáforos daltônicos

E os vômitos na praça
E as doses a mais
E a morte das gentilezas

E entre todos os delírios
O branco do beijo
Vaporiza a santidade dos dias
(os de ontem)
- O amanhã espia delinquente

domingo, julho 03, 2011

Hiato

Na hora suprema
Ninguém poderá tuitar
#morri

segunda-feira, abril 18, 2011

In vitro

libélula contorna a lâmpada
insiste em atravessar o vidro

seria o bulbo uma vulva?
acredita

tem fé de espermatozoide

sábado, abril 16, 2011

Esvair-se

mãos transparentes:
vê-se nervos e tatuagens
carnestragada
telegrafando sangues de ontem

víbora entre hemáceas
gato aninhado entre pulmões
respiram os últimos apocalipses
atravessando a cerviz

dobram-se joelhos
enquanto o escorpião fere um calcanhar
não há mais firmamento

abutre ao sol, por testemunha
venera o cheiro da decomposição

por comer frutas e verduras
ninguém se esvai feito folha de outono

seca-se dentro, primeiro
esvaziamentos e hemorragias
depois a pele reclama
os ossos incomodam

passarinhos sabem bem
,ao menos voam

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

BR

Em rodovias engarrafadas
náufragos escrevem mensagens
usando apenas buzinas

Alguém os ouvirá
multiplicando no céu
um enxame de ofensas

Apesar do esforço
esse ainda não é o jeito certo
de fazer o carro voar

domingo, fevereiro 06, 2011

Fim

fere à faca
fisga à fogo
fratura à ferro
fraqueja à febre

pesa mais que bigorna
esmaga à morsa
retorce em torno
dissolve sulfúrico

dor ácida
de agulhas sob unhas
de brasas à boca
de pregos em Cristo

tua despedida
tem muitos escombros entre os dedos
ruínas escorrendo
feito pedaços de água

a noite chanfra teu aceno
à curva de uma sombra
se encardindo serena
sobre velhas construções

e dentro
uma usina ferve
o vapor escapa pelos olhos
e assim nascem as lágrimas
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