segunda-feira, outubro 10, 2011

Papel de parede

Um caco
tem
tantos cantos
quanto prantos
ambos espremidos
em miniaturas
no chão

Pra meu espanto
nem acalento
lágrimas
e
vidros
embora
transpareço opaco
em certas estações

Só planto janelas
ergo tijolos à vista
em ritmo lento
vento-burro-jumento
a pastar
entreedifícios

Uma folha-
árvore miúda
cai entre os estalos
: meus socos na parede
brancos ficam os dentes
ao mastigar o cerol

Ao misturar
a verdade
ao cimento se fez
a liga plúmbea
das crenças
adornadas pelo reboco
e
listelos decorados
em cerâmica

A pedra lançada contra
a casa só fortaleceu
a parede
ainda em construção

Por certo
um caco
cobre a calçada
um pé descalço
descuida ao pisar
,surge um dogma
entre os tendões

Te peço (e só) que
te repartas comigo,
um caco (que seja)
entre
teus
tantos
ladrilhos, estampas, recortes, vãos

Quem chora pra si (mesmo)
não vai para o céu
: escrevi com cal
no alto da torre
- sem assinar

Interstício

abandono.abismo.branco.brecha.buraco.cavidade.côncavo.corte.cova.distância.espaço.falha.fenda.fissura.fosso.fratura.fresta.furo.greta.hiato.intermitência.intervalo.lacuna.lapso.largo.oco.poço.prisão.profundidade.quebra.rasgo.ruptura.sulco.talho.tempo.trincheira.vala.vale.vão.vazio.voltamos.buceta.
Google