quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Prenúncio

Nem o vento
(que antes soprava)
Nem o burburinho
(das crianças ao longe)
Nem o barulho dos carros
(que antes irritava)
Nem o solapar dos chinelos
(deixando areia na calçada)

Reina na orla uma paz inquieta
O perigo iminente da solidão
Uma guerra por trás dos montes
Uma armadilha aos desavisados

Até a gaivota
(que dissimulava cortesia)
Até o cachorro
(que fingia amizade)
Até o gato
(que não engana ninguém)
Até o atendente
(que se faz de entendido)

Debandaram todos
Caranguejos, siris, lesmas
A fugir de um predador
Das profecias do apocalipse

Sentado à beira do trapiche
O pescador observa o mar
A tempestade sempre chega
Mas avisa antes. Ele sabe.
Google