
O homem da casa tem uma caixa feita em paredes de azul sangue.
Num trapézio retângulo, porque esta é a forma da caixa quanto vazia de suas vértebras, de cor preta quase querendo ser colorido, a vida arqueja em esquinas de muitos ângulos. Daí o retângulo convencional, porque esta é a forma da caixa quando vertebralmente cheia. E daí muitos outros polígonos: triângulos, quadriláteros, cones, pirâmides, estalactites e demais geometrias acesas de arestas ósseas circunferenciando em coices o medo, a palavra, o menino, a árvore, a carne masculina, o feminino adentro, o corponudez do imaginar e do(r) sentir. Digo em coices, sim, porém amorosos.
Nós – os não adestrados – ainda não aprendemos o carinho do fogo, nem o afago do gelo. Adoramos a chuva caindo oblíqua; mas amamos ficar na varanda: somos domésticos: vasos. Ao buscar a tangente, o outro tropeça-me.
Grito o grito do Cristo – Pai lavra-nos (o Filho mais eu).
O homem da casa tem uma caixa. Um cubo-imagens. Um porta-poemas. Porta-sonhos. Porta-portas, janelas e outras fugas. Eu entrei e fugi. Fugi e não me desesperei: ri o riso bíblico de Abraão: Isaque pôde brincar sua infância com letras e desenhos.
[jb]
Saiba mais sobre a caixa.